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sábado, 24 de setembro de 2011

Livros na nuvem


"Leitores poderão emprestar obras digitais da biblioteca do bairro para ler no Kindle

por Guilherme Rosa

Os diretores da Overdrive, uma empresa americana que fornece conteúdo e livros digitais para bibliotecas públicas dos Estados Unidos, cansaram de receber reclamações de bibliotecários preocupados com o Kindle. O e-reader (leitor de textos digitais) que permite ao usuário comprar mais de 700 mil livros da internet estaria esvaziando as bibliotecas e ameaçando seus empregos.

A solução da Overdrive foi unir os “inimigos”. Numa iniciativa chamada Kindle Library Lending, eles anunciaram que, até o final do ano, os donos do e-reader poderão baixar os livros digitais das 11 mil bibliotecas que têm parceria com a empresa nos Estados Unidos — de qualquer computador e de graça. Funciona assim: cada instituição possui um quantidade limitada de obras em formato digital e os usuários podem pegar emprestado os arquivos (que têm proteção anticópia) durante um tempo determinado. “Só precisa confirmar que é sócio”, diz Stephanie Mantello, diretora de relações- públicas do Kindle.

Depois da leitura, o associado devolve o documento, que poderá ser emprestado a outra pessoa. Se é totalmente proibido rabiscar nas obras comuns, não há nenhum problema em fazer anotações nos livros digitais. Com o novo sistema, todas as notas feitas pelo usuário no Kindle serão recuperadas se ele resolver pegar emprestado o livro uma segunda vez. "

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI236589-17933,00-LIVROS+NA+NUVEM.html

Bibliotecas públicas americanas emprestam livros para Kindle

"A Amazon afirmou que mais de 11 mil instituições dos EUA vão disponibilizar gratuitamente livros digitais para o tablet


Editora Globo
A empresa americana Amazon divulgou hoje que mais de 11 mil bibliotecas públicas dos Estados Unidos vão passar a emprestar, a partir desta semana, livros no formato Kindle. E a novidade não está limitada aos que possuem o tablet. Quem tiver um smartphone ou um computador com o aplicativo Kindle instalado, também pode ler os e-books emprestados.

O sistema vai funcionar da seguinte forma: o leitor vai usar o site da própria biblioteca para ver os livros disponíveis. Quando escolher a obra, vai clicar em “Enviar para o Kindle”, e então será redirecionado para o site Amazon.com para o download. Se o usuário não estiver conectado à internet, pode fazer a transferência via USB.

O lado bom de emprestar um livro digital é que as bibliotecas não vão sofrer com danos nas obras. No Kindle, os leitores podem escrever o que quiserem em suas páginas eletrônicas – e essas anotações estarão disponíveis sempre que o mesmo usuário emprestar o próprio título ou se decidir comprá-lo mais tarde. "  
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI266917-17770,00-BIBLIOTECAS+PUBLICAS+AMERICANAS+EMPRESTAM+LIVROS+PARA+KINDLE.html

segunda-feira, 18 de abril de 2011

2º Congresso Internacional do Livro Digital 2011

" O 2º Congresso Internacional do Livro Digital - promovido pela Câmara Brasileira do Livro, CBL, que será realizado dias 26 e 27 de julho de 2011, em São Paulo, promoverá uma sessão de trabalhos científicos e acadêmicos. O objetivo é estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos empíricos ou conceituais e inéditos sobre os temas:

- Novos Modelos de Negócios relacionados aos livros digitais;
- Aspectos de usabilidade de leitores digitais (e-readers);
- Bibliotecas Digitais;
- Aspectos educacionais dos livros digitais;
- Direitos autorais e Copyright;
- Marketing do livro digital;
- Redes sociais e livros digitais;
- O novo papel do editor;
- e outros temas afins.

Os autores dos trabalhos aceitos para apresentação na sessão receberão a inscrição para a participação no congresso (uma inscrição por trabalho) e terão seus trabalhos publicados no site do evento.

O trabalho vencedor receberá o prêmio de R$ 1.000,00 e o segundo colocado R$ 500 (valores brutos), e os dois melhores trabalhos apresentados receberão indicação (em fast track) para publicação na REGE – Revista de Gestão da USP.

Os coordenadores desta sessão do Congresso serão o Prof. Cesar Alexandre de Souza (FEA/USP) e Daniel Pinsky (Comissão do Livro Digital/CBL).

O prazo final de envio dos trabalhos é dia 2 de maio de 2011 e o resultado será divulgado dia 2 de julho; a data de apresentação dos trabalhos será comunicada aos vencedores neste mesmo dia.

terça-feira, 22 de março de 2011

Livro eletronico da prof. Marta Valentim

Encontra-se disponivel para download no link abaixo o livro "Gestão, mediação e uso da informação" organizado pela professora Marta Valentim

http://www.culturaacademica.com.br/downloads/%7B0CD8B066-775C-4CF1-AF3D-4F6C764E13E3%7D_Gestao_mediacao-digital.pdf

Aeroporto de Taiwan abre primeira biblioteca de livros eletrônicos

"Cerca de 400 títulos estão disponíveis em 30 leitores digitais.
Investimento foi de aproximadamente US$ 100 mil.
Do G1, em São Paulo
E-readers estão disponíveis para passageiros do
aeroporto de Taiwan na primeira biblioteca digital
(Foto: Divulgação)O aeroporto internacional Taoyuan, em Taiwan, inaugurou a primeira biblioteca de livros eletrônicos no mundo. A intenção é oferecer um novo tipo de entretenimento aos passageiros em trânsito no local.

A biblioteca de livros eletrônicos (chamada em inglês de e-library) possui 400 títulos em inglês e em chinês na sua coleção e custou mais de US$ 100 mil para ser criada. Os livros podem ser acessados apenas no aeroporto, não podendo ser baixados em outros tablets ou leitores digitais.

Os livros podem ser acessados no free shop do aeroporto em 30 dispositivos disponíveis para os passageiros. De acordo com o governo de Taiwan, este número deve aumentar nos próximos meses, já que o aeroporto recebe 17 milhões de viajantes por ano."
Publicado originalmente http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/03/aeroporto-de-taiwan-abre-primeira-biblioteca-de-livros-eletronicos.html

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

El 'ebook' arrasa en la Biblioteca

"Sus clientes, lectores de entre 40 y 50 años, atraídos por la experiencia de conocer el nuevo soporte .Los 50 dispositivos llegaron hace veinte días y siempre están prestados o reservados .
La propuesta.
15 bibliotecas dependientes del Ministerio aceptaron el servicio
Perfil del usuario. Personas de entre 40 y 50 años que quieren conocer el mecanismo.
Mil títulos De autores clásicos; las novedades tendrán que esperar a ser reguladas..El préstamo de libros electrónicos se limita de momento a obras de 'dominio público'
«El libro no va a desaparecer», afirma la directora de la Biblioteca de La Rioja.Llevar mil títulos de la Literatura Universal en un pequeño bolso de mano. Poder elegir en un sólo 'clic' entre los grandes maestros: Cervantes, Shakespeare, Allan Poe, Pérez Galdós, 'Clarín', Homero, Platón, Unamuno, Calderón de la Barca, entre un largo etcétera. Bucear entre cuentos, narrativa o ensayo. En definitiva, acceder al 'ebook'. En diciembre pasado, el Ministerio de Cultura brindó a quince bibliotecas estatales la posibilidad de incluir entre sus servicios el préstamo de libros electrónicos. La Biblioteca de La Rioja fue una de las que aceptó la propuesta. El servicio incluye el préstamo del dispositivo lector y una tarjeta con mil títulos.
La iniciativa se puede calificar de rotundo éxito, «el primer día se tomaron en préstamo los cincuenta dispositivos disponibles», afirma Lola Ramírez, directora de la entidad. Hoy, veinte días después, «todos los dispositivos están prestados o reservados», añade.
Los primeros usuarios que han utilizado el servicio en La Rioja son principalmente lectores «de entre 40 y 50 años», atraídos «por la experiencia de conocer el mecanismo». La aceptación está siendo «muy buena».
De momento, el préstamo de libros electrónicos en las bibliotecas españolas dependientes del Ministerio se limita a publicaciones de 'dominio público', es decir, a aquellas obras literarias cuyos autores han fallecido hace más de cincuenta años y, por tanto, ya no están reguladas por los derechos de autor.
El servicio no se ha extendido aún a publicaciones de actualidad, es decir, a libros editados recientemente. «Estas novedades existen en formato electrónico, pero las Bibliotecas no podemos acceder a ellas», explica Lola Ramírez. La razón es muy sencilla: «En España no cabe esa posibilidad para libros de última publicación porque no existe ninguna plataforma que permita a las bibliotecas acceder a su compra para luego compartirlos con varios lectores», concreta Ramírez. «Tú puedes ir a un portal, como el de El Corte Inglés, y comprarte un libro en formato electrónico y descargártelo en tu terminal, pero las bibliotecas no podemos hacerlo, debido al canon de derechos de autor», añade. «Para ello debería regularse, crearse una especie de plataforma en la que nosotros pudiéramos adquirirlo y después el usuario, sin necesidad de venir aquí, se lo descargara en su lector; un sistema que hiciera que a los 15 ó 20 días de su préstamo la descarga desapareciera de su dispositivo».
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

´Em 15 anos, livro de papel será objeto exótico

"Em 15 anos, livro de papel será objeto exótico´, diz Mike ShatzkinPara consultor, que atua no mercado editorial há 40 anos, substituição de obras impressas por ebooks é caminho sem volta.

O futuro dos livros impressos é uma discussão polêmica. De um lado, há pesquisadores que acreditam que o crescimento das vendas de livros digitais não implica necessariamente no fim das obras em papel, e que ambos os formatos podem coexistir. Outro grupo, mais radical, prevê que as bibliotecas impressas, consolidadas ao longo de séculos, devem se tornar meros cenários históricos, e que todo o conteúdo disponível será transposto para as platafomas digitais.

Mike Shatzkin, especialista em toda a cadeia produtiva dos livros nos Estados Unidos e fundador da consultoria The Idea Logical Company, de Nova York, pertence ao segundo grupo. Para ele, a substituição dos livros pelos e-readers é um caminho sem volta e que tem prazo para acontecer. Em no máximo 30 anos, uma criança ao ver um livro de papel estranhará e perguntará "o que é aquilo, mamãe?", garante o consultor. Tudo isso refletirá no trabalho de editoras, livrarias e de escritores. E estimulará a leitura, segundo ele.

Shatzkin visitou o Brasil pela primeira vez para participar do Fórum Internacional do Livro Digital, que precedeu a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Ele conversou com o site EXAME no saguão do hotel em que se hospedou, entre uma leitura e outra que faz em seu iPhone."

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domingo, 15 de agosto de 2010

Futuro do livro é digital, gostemos ou não

Ethevaldo Siqueira - Coluna de domingo, 15-08-2010, do Estadão

"Não tenho dúvida: o futuro do livro é digital. Minha convicção está ainda mais reforçada depois de participar do Fórum Internacional do Livro Digital, que antecedeu a abertura da Bienal do Livro de São Paulo, na semana passada. Com base na visão dos três palestrantes – o norte-americano Mike Shatzkin, o inglês John B. Thompson e o brasileiro Jean Paul Jacob – descrevo, por minha exclusiva responsabilidade, o que poderá ser, em 2025, a mais famosa enciclopédia virtual do mundo, a UniPaedia (Universal Encyclopaedia), acessável por meio do SmartPad, o e-reader do futuro. Essa enciclopédia conterá algo equivalente a 100 vezes mais informação do que o volume atual da Wikipedia que hoje conhecemos, escrita em mais de 200 idiomas."

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sábado, 31 de julho de 2010

Viver de sonhos e revoluções

"Um dos principais convidados da Festa Literária Internacional de Paraty, o historiador americano Robert Darnton defende a criação de bibliotecas públicas com obras digitais com acesso liberado

Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

O pesquisador americano Robert Darnton terá jornada dupla na Festa Literária Internacional de Paraty, que começa na quarta-feira: ele participará de duas mesas que tratam do futuro do livro. Não se trata de um exagero - diretor da biblioteca de Harvard, Darnton é autor de A Questão dos Livros (Companhia das Letras), "uma apologia descarada da palavra impressa e seu passado", como escreve na introdução. Ou seja, busca conciliar a obra tradicional, em papel, com as novidades digitais. Mais que isso, defende a criação de uma biblioteca nacional de e-books, com acesso livre. Utópico? Pode ser, mas não o suficiente para frear esse colecionador de livros proibidos da França pré-revolucionária, que falou com o Sabático por telefone.


É possível comparar a revolução dos livros digitais com a de Gutenberg e a criação da imprensa?

Acredito que revoluções são coisas do passado. Podemos fazer uma lista de tudo o que é considerado revolucionário, desde novas formas de se vestir até táticas defensivas no futebol. Por isso que só uso essa palavra para algo realmente grandioso, como é o caso do livro digital, tão fabuloso como a revolução provocada por Gutenberg. Posso estar errado pois é preciso uma distância temporal muito grande para se avaliar devidamente o valor de uma transformação, mas, como vivemos, nos últimos 15 anos, mudanças decisivas na forma de comunicação que atingem nossa vida diária, o risco é seguro. Por outro lado, há quem não defenda como revolucionária a criação de Gutenberg: para alguns pesquisadores, como o francês Lucien Lefevre, a prensa retardou mudanças especialmente no tocante aos manuscritos que, ao serem adaptados ao formato de livro, perdiam muitas qualidades. Assim, segundo Lefevre, tal malefício não pode ser considerado revolucionário.

Mas o senhor concorda?

Não, acredito que Lefevre agiu como um provocador. Basta observar a evolução do papel, que atingiu níveis elevados um século antes de Gutenberg e que é mais importante que a própria invenção da prensa. Ou seja, é um assunto complicado. De uma maneira geral, acredito que a invenção da prensa trouxe mudanças menos dramáticas do que se imagina, mas, por outro lado, essas alterações são mais profundas do que se acredita.

Podemos concluir que o livro tradicional pode conviver com a versão digital, ao menos durante um tempo?

Sim, exatamente, esse é um dos principais argumentos do meu livro. Acredito que as pessoas ainda não entenderam quais são as mudanças provocadas por essa revolução. Comenta-se muito que vivemos na era da digitalização - é verdade, mas isso não significa obrigatoriamente a morte do livro tradicional. Ao contrário: ele se torna mais importante a cada ano. Basta conferir a quantidade de obras impressas que, a cada ano, ultrapassa a do anterior. Aproximadamente 1 milhão de livros a mais são impressos em todo o mundo em um ano, uma loucura.

Qual é o principal problema provocado pela migração de uma obra tradicional, em papel, para a versão digital?

Creio que você se refere à preservação dos textos digitais, um problema que preocupa a grande maioria dos bibliotecários de todo o mundo. Talvez seja esse nosso maior desafio - evitar o desaparecimento de textos extremamente frágeis. Por outro lado, o material impresso em papel resiste por décadas, especialmente o branco, utilizado a partir do século 19. Tal persistência não é ainda garantida no digital que, por conta da evolução tecnológica, tem diversos arquivos obsoletos, como aqueles guardados em disquetes, por exemplo. E um último problema está na dificuldade de muitas pessoas em coletar textos no ciberespaço, pois é preciso ter muitos detalhes desse arquivo para então encontrá-lo. Para piorar, as formas de descrição mudam com o passar dos anos, o que torna inviável hoje um caminho que antes era aconselhável. Assim, se você não dominar o método apropriado, provavelmente seu texto será perdido para sempre. Bem, colocando todos esses empecilhos em uma cesta, você estará criando uma colossal dor de cabeça, especialmente para alguém responsável por uma grande biblioteca como é meu caso, em Harvard. Para evitar isso, investimos pesadas somas de dinheiro para manter nosso arquivo digital, migrando de um sistema para outro quando surge uma nova tecnologia, ou ainda buscando lugares seguros, à prova de terremotos por exemplo, a fim de mantê-lo atualizado ou, melhor dizendo, vivo.

E quais mudanças o senhor observa em nossa noção de narrativa?

É uma boa questão. Para ser totalmente honesto, eu não sei. Mas suspeito que estamos mudando nossa forma de ler. Atualmente, os mais jovens criaram o hábito de ler pequenos blocos de texto e em grande velocidade, seja em Twitter, blogs, ou ainda na troca de mensagens recebidas em celulares e portáteis. Assim, a leitura de um livro tornou-se um ato pouco usual. Por conta disso, é possível acreditar que logo os livros serão adaptados a esse tipo de escrita, ou seja, uma prosa breve, segmentada. Isso vai influenciar decisivamente a forma de se apresentar personagens, descrever cenários, criar atmosferas, utilizar recursos narrativos. Tudo ficará achatado. É uma possibilidade. Ou ainda poderá existir um tipo de escritor que utilize a estratégia típica de um blog, por exemplo, para construir seu romance e assim capturar a atenção do leitor jovem. O fascinante é que a narrativa vai persistir, como vem acontecendo há séculos, período em que passou (e continuará passando) por transformações. Acredito que isso ocorrerá com facilidade no Brasil, por ser seu país muito aberto a novidades tecnológicas. E, como dispõem de grandes escritores, quem sabe se vocês, brasileiros, não acabarão ensinando o resto do mundo sobre novas formas narrativas?

O senhor acredita que, com a escrita digital, surgirão escritores clássicos do naipe de Dickens ou Capote?

Grandes escritores surgem independentemente da forma como é produzido seu texto, seja escrevendo com uma pena ou em um computador. O bom autor se molda com trabalho incessante e determinação, de intensa escrita e reescrita, além de uma boa dose de talento. A escrita digital, por sua praticidade, não confere naturalmente seriedade ao texto de seja qual for o autor. Mas é justamente essa praticidade que deverá modificar, no meu entender, a formação do escritor do futuro, que certamente será diferente do passado. Muitas novas ferramentas estão à disposição, o ato de escrever parece mais cômodo mas, volto a insistir, a determinação exigida há cem anos continuará necessária nos próximos cem.

Por que o senhor defende a criação de uma biblioteca de obras digitais?

É uma causa que tem tomado muito do meu tempo atualmente. Tudo começou quando o site de buscas Google decidiu digitalizar milhões de livros e torná-los públicos. Inicialmente, aprovei a ideia e a biblioteca de Harvard foi uma das cinco primeiras a liberar seu acervo. Mas o perigo do monopólio e da comercialização me fizeram repensar o caso e até a escrever um artigo a respeito. Como despertou uma série de protestos, o acordo acabou na Justiça por conta do risco de infringir as leis antitruste dos Estados Unidos. Admiro o trabalho dos diretores do Google, que prometem cobrar um preço moderado pelo acesso das bibliotecas ao seu banco de dados, mas quem estiver no comando daqui a dez anos vai manter a mesma posição? A ação é civil, não criminal, e vem sendo julgada em Nova York. Como deve se estender por um tempo, gostaria de aproveitar para incentivar a criação de uma biblioteca nacional de obras digitais, que ofereceria um acesso muito mais democrático, gratuito. O financiamento pode vir de fundações e o trabalho seria feito por pesquisadores de bibliotecas. Espero que outros países, como o Brasil, façam o mesmo, a fim de termos uma biblioteca mundial. Sei que é utópico, mas não podemos viver sem sonhos.

Publicado originalmente : http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100731/not_imp588479,0.php

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Livros digitais criam novas chances de acesso à leitura

Sucesso depende ainda da solução de gargalos ligados ao custo e hábito

Por Roberto Machado

Os leitores digitais são aparelhos leves e finos capazes de armazenar centenas de livros em sua memória. Além da possibilidade de leitura, o próprio aparelho mantém a opção de ditar o texto armazenado. A conexão com a nternet - através da rede 3G - permite ainda a interação com outras notícias e a compra de livros.

Para evitar os tradicionais cansaços nos olhos ocasionados pela alta luminosidade do computador, o novo aparelho simula a sensação da leitura em papel. A chamada tinta digital não recebe interferência da luz ambiente, tampouco da solar. A tecnologia serve ainda para economizar a bateria do leitor.

A chegada dos livros digitais abre um novo potencial de popularização da leitura no Brasil. O País, que segundo levantamento Retratos da Leitura, realizado em 2008 pelo IPL (Instituto do Pró-Livro), tem cerca de 45% da população fora de contato qualquer tipo de leitura, poderia aproveitar a nova tecnologia para mudar o panorama. A chance, entretanto, esbarra em alguns gargalos que as novas tecnologias carregam, como adaptação aos novos formatos, aceitação dos escritores e público, reformulação do modelo de negócio e acesso aos aparelhos necessários para a leitura.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Livro digital facilita acesso de estudantes

"Rogerio Jovaneli, de INFO Online

SÃO PAULO - Os universitários estão lendo menos? O livro digital ameaça as editoras e sugere o desaparecimento do livro tradicional? O livro digital facilita o acesso à leitura dos alunos e do público em geral?

Estas foram algumas das questões discutidas durante a XXIII Reunião Anual da Abeu (Associação Brasileira das Editoras Universitárias).

O evento, ocorrido entre os dias 7 e 10 de junho, reuniu na sede da Fundação Editora da Unesp, em São Paulo, profissionais do mercado editorial e acadêmicos para reflexão sobre a leitura na universidade e o livro digital.

Segundo pesquisa divulgada por Eliane Yunes, da Cátedra Unesco de Leitura (PUC-RJ), os índices de leitura dos estudantes é baixíssimo ao ingressarem na universidade, mas, ao saírem, há uma melhoria significativa, da ordem de 20%.

Um aspecto fundamental levantado pela especialista é o papel dos professores como mediadores da leitura, "ensinando os alunos a lerem os textos, destrinchando-os, articulando-os, correlacionando os conhecimentos".

Outro fator identificado como estimulante é o acesso aos bens. Nesse sentido, "a internet configura-se como um instrumento facilitador", afirma Yunes, ressalvando, entretanto, que não é neste espaço que se forma um leitor.

"A universidade pode formar novos e perenes leitores, mas cabe ao professor perceber e trabalhar a heterogeneidade de seus alunos", referendou João Luiz Ceccantini, professor do curso de Letras da Unesp, campus de Assis."
Publicado originalmente em INFO online
http://info.abril.com.br/noticias/carreira/livro-digital-facilita-acesso-de-estudantes-14062010-1.shl