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sábado, 15 de outubro de 2011

Bibliotecas sem leitores

"O Brasil tem poucas bibliotecas, se considerarmos sua população de quase 200 milhões de habitantes. No entanto, elas já ultrapassam a demanda, se considerarmos que a maioria vive "às moscas", com uma média baixíssima de visitantes. O vazio já não assusta: os brasileiros não têm o hábito de ler.

Durante a semana, a biblioteca pública Roberto Santos, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, está praticamente deserta pela manhã. Além dos funcionários, poucos visitantes aproveitam o silêncio para ler um jornal ou revista.

Segundo um levantamento de 2007 do Instituto Pró-Livro, a população do País lê apenas 1,3 livro por ano, enquanto nos EUA esse índice chega a 11 e na França, a sete.Para tentar mudar esse quadro e destacar a importância da leitura, há três anos o Dia Nacional da Leitura foi oficializado em 12 de outubro, também Dia das Crianças. “Quanto mais cedo uma pessoa for colocada perto da leitura e da escrita, maior será a sua intimidade, conforto e habilidade com o código ao longo do tempo”, destaca, em conversa com o site de CartaCapital, Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo, uma ONG focada em projetos educacionais.

Contudo, as crianças e os adultos interessados em utilizar uma das 4.763 bibliotecas públicas municipais do País enfrentarão uma série de dificuldades estruturais, a começar pelo horário de funcionamento e o baixo número destas instituições. Para se ter uma ideia, somente no estado de Nova York, nos EUA, há sete mil bibliotecas

Censo

De acordo com o 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, realizado no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas, apenas 79% das cidades brasileiras possuíam ao menos uma biblioteca aberta em 2009, com média de 2,67 para cada 100 mil habitantes. Porém, apenas 12% delas funcionavam aos sábados, 1% aos domingos e 24% no período noturno.

“Serviços de cultura têm que abrir aos fins de semana, se não o que seria dos teatros e cinemas? Uma biblioteca pública fechada reflete a mentalidade de um projeto de virar as costas às necessidades de leitura do País”, questiona Edmir Perrotti, doutor em Ciências da Comunicação e especialista em políticas públicas em comunicação e leitura.

Ponto de vista apoiado por Fontenelles, para quem os horários das bibliotecas deveriam se adequar às necessidades da comunidade local, colaborando para a formação de novo leitores. “É desafiador criar uma cultura de leitura, para isso temos que oferecer um serviço adequado.”

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domingo, 18 de setembro de 2011

“Quem não ler e se informar será jogado para fora da sociedade”, diz escritor

"Umuarama – O escritor mineiro, Affonso Romano de Sant'Anna, esteve na última terça-feira (13) em Umuarama para participar da 30ª edição da Semana Literária do Sesc. Em um bate papo com a professora universitária Cacilda Zafaneli, Affonso falou sobre a literatura nos dias de hoje, e em como a tecnologia e a contação de histórias pode ajudar na formação de leitores, fazendo um alerta: “quem não ler e se informar na sociedade do século XXI, principalmente nos próximos anos, será ‘descartado’”.

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Indice de leitura no ABC é de 2,36 livros/ano, aponta INPES

"O índice de leitura nos sete municípios do ABC é de 2,36 livros por ano, número superior à média do País, onde os demais brasileiros leem 1,5 livro/ano. O resultado é de levantamento do Inpes (Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano) ao ouvir 1.050 entrevistados no primeiro semestre de 2011. Se for levada em consideração a população com mais de 18 anos no ABC (1,8 milhão) – foco da amostragem – e multiplicá-la pelo índice, a conclusão é de que neste ano serão lidos quase 4,5 milhões de livros.
Entre as mulheres da região, o índice salta para 3,04 livros/ano. Já entre os homens, o recuo é de 1,67 livro/ano. O perfil socioeconômico é um dos principais fatores de impacto.  Entre os entrevistados classificados como classe A, o hábito de leitura atinge o patamar de 4 livros por ano. Na classe B, o número cai para 2,85. Entre os elencados na C, o índice se assemelha ao nacional (1,59). O pior desempenho é verificado justamente nas classes mais baixas D/E, que não atinge um livro por ano (0,79).
Por cidade (veja tabela), São Bernardo lidera com 3,22 livros/ano. São Caetano, que deveria liderar por conta do perfil econômico, aparece na sequência com 2,83 livros/ano devido à grande quantidade de idosos. Dos sete municípios, só Mauá e Rio Grande da Serra apresentam índices abaixo da média nacional. "
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A conselheira Marilucia Bernardi fará palestra sobre leitura em Caxias do Sul

 "A Secretaria da Cultura, através da Biblioteca Pública Municipal Dr. Demetrio Niederauer, com apoio da Secretaria da Educação, promove na próxima quinta-feira, dia 18 de agosto, às 19h30min, no Anfiteatro da Câmara de Vereadores, Encontro de Leitura e Literatura com a bibliotecária Marilucia Bernardi.

A palestra é gratuita e as inscrições devem ser feitas na Biblioteca Pública Municipal, através dos telefones (54) 3221.1118, 3214.5937, 3214.6083, até 16 de agosto.

Formada pela PUCCamp, Marilucia atua no Colégio Santa Maria, participou da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e atualmente é conselheira do CRB-8ª –São Paulo. Falará sobre “A questão da leitura diante das novas tecnologias: qual o papel da biblioteca?”

Hoje discute-se muito o que é necessário para que um profissional torne-se diferenciado. Podemos dizer que precisa ser ágil, dinâmico, pró-ativo, bem informado, saber se relacionar com seus pares e com o público em geral. Porém, e aí encontra-se o foco da palestra, precisa ter habilidade para perceber e aceitar mudanças, bem como assimilar que a forma tradicional de administrar deve estar aliada à tecnologia, fazendo com que a biblioteca não fique estagnada e distante de toda a transformação pela qual o mundo da informação passa constantemente."

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Praticas de leitura na biblioteca

A Biblioteca InfantoJuvenil Monteiro Lobato sediará o II Encontro sobre leitura, promovido pela Rede de Bibliotecas Públicas e a Fundação SM.
As inscrições devem ser feitas pelo e-mail bcsp.mlobato@prefeitura.sp.gov.br.
Informar nome completo, telefone para contato e nome da Instituição onde atua.
Os palestrantes
•João Luis C. T Ceccantini - possui graduação em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp/Faculdade de Ciências e Letras de Assis (1987), onde também realizou seu mestrado (1993) e doutorado em Letras (2000). Atualmente é professor assistente doutor da Unesp.
•Maria Zenita Monteiro - coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo.
•Angela Müller de Toledo - bibliotecária, coordenadora das bibliotecas da Escola da Vila e resenhadora da Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil.
Dia 29 de abril das 9h às 13h

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem lê esquece a dor, o medo e a humilhação, defende livro

"ARIADNE ARAÚJO
colaboração para a Livraria da Folha

Aprenda a superar os piores momentos de crise com a leitura
Após uma desilusão amorosa, a morte de um ente querido, uma demorada doença ou grande crise pessoal, também durante catástrofes naturais, guerras e conflitos. Os livros têm sido companheiros fiéis, ajudando milhares de pessoas a ultrapassarem tempos difíceis. Em "A arte de ler ou como resistir à adversidade" (Editora 34), a pesquisadora francesa Michèle Petit conta como a leitura tem salvado, transformado e reconstruído vidas, seja na Europa, seja em pequenos lugarejos da América Latina.

No Brasil, na Argentina, na Colômbia e no México, a pesquisadora acompanhou as chamadas "experiências literárias compartilhadas". Organizadas por mediadores culturais - professores, bibliotecários, psicólogos, artistas, escritores, editores, livreiros, trabalhadores sociais -, essas experiências literárias têm como foco justamente populações mais distantes dos livros: "crianças, adolescentes, mulheres ou homens, em geral pouco escolarizados, oriundos de ambientes pobres, marginalizados, cujas culturas são dominadas"."

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um livro para cada ocasião

Sei que o post é longo, sei que para os padrões da Internet já é um pouco velho, mas é delicioso e vale a pena ler.

"Durante o tempo que passou no cárcere, Oscar Wilde pediu para ler "A ilha do tesouro", de Stevenson. Já Alexandre, o Grande, levou com ele em suas batalhas um exemplar de "A Ilíada", de Homero. Por que em certos momentos de nossa vida escolhemos a companhia de um livro mais que a de outro?

Em 2008, duas semanas antes do Natal, soube que teria de ser operado com urgência; na verdade, a urgência era tanta, que não tive tempo de arrumar minha bagagem. Me vi estirado numa sala de hospital, totalmente nu, com mal-estar e inquieto, e um único livro: o que estava lendo naquela manhã, o maravilhoso romance de Cees Nooteboom, Dans les montagnes des Pays-Bas, que terminei horas depois. Passar 14 dias em convalescença sem ter nada para ler me parecia uma tortura insuportável, e quando meu companheiro se propôs a buscar uns livros em minha biblioteca particular e levá-los ao hospital, aproveitei a oportunidade com gratidão. Mas que livros eu queria?

O autor de Eclesiastes e o cantor Pete Seeger nos ensinaram que há ocasião para tudo. Eu acrescentaria, no mesmo sentido, que há um livro para todas as ocasiões. Mas os leitores aprenderam que nem todo livro convém a qualquer ocasião. Tenhamos piedade de quem se vê com um livro ruim num lugar horrível, como o pobre Roald Amundsen, descobridor do Polo Sul, cuja sacola contendo suas obras desapareceu no gelo, de modo que, noite após noite glacial, ele foi obrigado a devorar a única que sobrou: o indigesto “Retrato de sua majestade sagrada em sua solidão e sofrimento”, de John Gauden. Os leitores sabem quais livros ler após fazer amor ou para enfrentar a espera num aeroporto; livros para a mesa do café da manhã e livros para o banheiro; livros para as noites de insônia em casa e para os dias sem sono no hospital. Ninguém, nem mesmo o melhor de todos os leitores, pode realmente explicar por que alguns livros convêm a certas ocasiões e outros não. De maneira indescritível, do mesmo modo que os seres humanos, as ocasiões e os livros, misteriosamente, estão de acordo uns com os outros ou entram em conflito.

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Alberto Manguel
é escritor canadense. Última obra publicada é Tous les hommes sont menteurs, Acte Sud, Arles, 2009.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Táxis egípcios oferecem biblioteca ambulante para incentivar leitura no país

"Francisco Carrión.

Cairo, 9 dez (EFE).- A última proposta nas caóticas ruas do Cairo é "o táxi do conhecimento", que oferece literatura aos passageiros para ajudá-los a se distrair do barulho e dos engarrafamentos diários, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura em um país com 17 milhões de analfabetos.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bibliotecas: um dos melhores investimentos que o País pode fazer

"por Daniel Feffer- Vice presidente do Grupo Suzano e presidente do Instituto Ecofuturo
Se aprovados, dois projetos de lei em tramitação no Congresso terão destaque no incentivo à leitura.

Existem hoje no Brasil, precisamente, 1.152 municípios sem bibliotecas, e dos que têm pelo menos uma, apenas 24% delas abrem à noite e somente 12% funcionam aos sábados, segundo recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, realizada a pedido do Ministério da Cultura.
Há ainda outro fator que inibe mais leitura: a ausência de livrarias em cerca de 80% dos municípios brasileiros, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro.

Ninguém nasce leitor. A leitura é um hábito cultural, social, imprescindível para o desenvolvimento de qualquer nação. E está comprovado pela neurociência que se deve dar maior ênfase à educação das crianças antes dos três anos de idade. A recente pesquisa sobre o tema “Retratos da Leitura no Brasil" constatou que a influência da mãe ou da mulher responsável pela família nos hábitos de leitura é preponderante: 73% das crianças citam as mães como maior influenciadora. Na resposta estimulada, a figura da mãe alcançou 49%, seguida pela professora, com 33%; e pelo pai, com 30%. A pesquisa mostrou também que a família pode influenciar na formação de não leitores, quando os membros da família não oferecem o exemplo de ler ou não detêm a posse de livros.

Há importantes referências mostrando que o hábito da leitura depende de uma diversidade de fatores, sendo um deles a disponibilidade física de livros para consumo. Ou seja, bibliotecas. Contudo, a “atratividade” das bibliotecas tem peso semelhante, inclusive para a realização de pesquisas escolares.

Neste sentido, a Lei 12.244, que determina a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País, representa um avanço significativo, mas um desafio igualmente expressivo.

O acervo deve ser pensado de forma a compor um estimulante conjunto inicial de livros, bem como deve prever sua constante renovação e atualização, para manter e atrair o interesse de seus freqüentadores. É igualmente fundamental pensar que elas devem integrar-se ao projeto pedagógico das escolas, desde o horário de funcionamento - incluindo o período noturno - até a realização de um planejamento ajustado à disseminação da leitura literária, que atenda e vá além da demanda curricular. É importante também a presença de profissionais preparados – e com garantias de permanente requalificação – tanto para a organização dos espaços, quanto para assessorar o leitor iniciante em suas buscas e com dicas de leitura.A criação de uma rede de conectividade entre as bibliotecas é mais uma forma de promoção do intercâmbio de experiência e renovação do conhecimento em um país como o nosso, de modo a diminuir o distanciamento geográfico.

Portanto, o desafio que nosso País tem mostra que devemos atuar de forma cooperada e integrada, governo e iniciativa privada, para criar e assegurar a sustentabilidade de uma política pública que, de fato, contribua para a promoção do avanço dos indicadores educacionais e que tenha elevado poder de transformação. E isto está previsto na Constituição.

O impacto de uma biblioteca é tão mais duradouro, quanto mais atenção for dada à sua manutenção. É importante, portanto, a criação de um fundo com recursos voltados à conservação da infraestrutura das bibliotecas e à expansão dos seus acervos.

Há dois projetos de lei que poderiam canalizar recursos para a implantação e manutenção de bibliotecas escolares, focados no fomento, na estruturação e criação de bibliotecas: o PL 6.200/09, que autoriza a criação do Fundo Nacional de Apoio a Bibliotecas (FUNAB), e determina que ele será gerido pelo órgão responsável pela gestão da Política Nacional do Livro (art. 3º); e o PLS 294/05, que em seu art. 6, informa que a rubrica orçamentária de onde sairão os recursos para financiamento, expansão e modernização de bibliotecas será o FNPL - Fundo Nacional Pró-Leitura.

Com a mesma natureza contábil, estes fundos terão papel de destaque no incentivo à leitura. O primeiro aguarda deliberação pelas Comissões de Finanças e Tributação (CFT) e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal, e o segundo pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado Federal. Caso não sejam alterados, o primeiro seguirá à sanção presidencial e o segundo ainda deverá tramitar pela Câmara dos Deputados.

É muito importante que sejam aprovados ainda este ano para viabilizar o imediato apoio à implantação de bibliotecas no País, bem como o planejamento de uma colaboração inter e intra-setorial, com vistas a assegurar maior eficiência deste investimento.
Publicado originalmente http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/bibliotecas+um+dos+melhores+investimentos+que+o+pais+pode+fazer/a1237854023303.html

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ministro da Cultura exige pelo menos uma biblioteca nos municípios

"O ministro da Cultura, Juca Ferreira, assinou nesta quinta-feira uma portaria que suspende o repasse de recursos para a prefeitura que não tiver pelo menos uma biblioteca pública municipal em funcionamento.

Desde abril, o Ministério da Cultura (MinC) investiu R$ 21 milhões no envio de 2 mil livros, mobiliário, televisão, aparelhos de DVD e computadores para todas as 420 prefeituras que não possuíam biblioteca. Desse total, 403 já receberam os materiais. Até o final deste ano, o Ministério pretende enviar os equipamentos para os 17 municípios restantes.

"É importante ressaltar que esta portaria não tem caráter punitivo. Ela premia quem está no caminho correto e reforça o compromisso já existente entre o governo federal e os municípios", afirma o ministro Juca Ferreira. "O acesso a bibliotecas é essencial para garantir o desenvolvimento do Brasil", completa. Os municípios têm a responsabilidade de manter o espaço físico adequado e garantir os recursos para o funcionamento das bibliotecas.

O Ministério identificou, por meio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), que alguns dos equipamentos estaduais estão defasados. Por isso, a exigência também se estenderá aos 27 estados e Distrito Federal.

"O MinC dá o apoio para abrir e para equipar, mas é preciso ter a contrapartida. Estamos criando a consciência da importância de se ter uma biblioteca aberta nos estados e municípios", explica o ministro Juca Ferreira. Para ele, é fundamental instituir uma política pública que garanta o acesso à cultura. "A biblioteca é um ambiente democrático para ampliar o acesso aos livros e formar novos leitores", avalia Juca.

Leia Mais. Seja Mais
Ainda neste ano, o MinC também lançará o portal "Lei Mais. Seja Mais", de incentivo à leitura. Nos últimos oito anos, o governo investiu fortemente na área de livro e leitura. Para isso, aumentou os recursos para o setor (de R$ 6 milhões para R$ 96 milhões) e instituiu uma política para a área, a partir da criação do Plano Nacional do Livro e Leitura, em 2006."
Publicado originalmente em
http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4823345-EI8266,00-Ministro+da+Cultura+exige+pelo+menos+uma+biblioteca+nos+municipios.html

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Hábito da leitura é prejudicado por falta de incentivo

Escola e família são tidos como os principais agentes de estímulo, mas nunca é tarde para começar a ler

Brasileiro está lendo mais, mas ainda está longe do ideal.

Que o brasileiro lê pouco não é novidade alguma. O fato ganha um ar maior de decepção quando se lembra da riqueza da literatura nacional, tendo em Machado de Assis, Monteiro Lobato, Cecília Meirelles, Castro Alves, Tobias Barreto e Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, os expoentes máximos da cultura das letras no país. Só estes nomes deveriam justificar um apreço maior pela literatura, no entanto, são poucos os que se dedicam à atividade por puro prazer.

O cenário já foi bem pior, é verdade. Dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros divulgados no início deste mês apontam que o índice de leitura no país aumentou 150% nos últimos dez anos. A média de 1,8 livro por ano atingiu 4,7. Os números ainda estão distantes dos países mais desenvolvidos, mas o consenso é de eles poderiam ser bem maiores se houvesse maior estímulo.

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Leitura: paulistas leem mais?

"Pesquisa aponta que 38% do consumo de livros no Brasil ocorre no Estado de São Paulo

Responsável por 31% do Produto Interno Bruno (PIB) brasileiro, o Estado de São Paulo responde pela maioria dos consumidores de livros no Brasil.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência, ao todo, 38% do total de livros comercializados no país são feitas nesse Estado.

A pesquisa apontou que São Paulo atinge um consumo per capita anual com livros e publicações impressas de R$ 47,70. As classes A e B são responsáveis por 87% dos gastos no Estado (somente a classe B responde por 56%), enquanto a classe C responde por 12% e a DE, juntas, por 1%.

Somente a capital paulista consome 14% dos livros comercializados no país e os paulistanos gastam, em média, R$ 67,30 por ano com esta categoria de produto. Juntas, as classes A e B são responsáveis por 92% dos gastos com livros e publicações impressas na cidade. A classe C responde por 7% e a classe E por menos de 0,5%.

De acordo com o diretor de geonegócios do IBOPE Inteligência, Antônio Carlos Ruótolo, o livro ainda é um produto consumido pelas classes A e B. "O grande desafio do setor editorial é fazer o livro crescer na classe C, que já consume informação pela internet, mas nem tanto pelos livros", conclui."

Publicado originalmente :http://www.administradores.com.br/informe-se/noticias-academicas/leitura-paulistas-leem-mais/36887/

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Serra diz que não mudará estratégia de campanha e promete distribuir 100 milhões de livros por ano a estudantes e professores

" Adauri Antunes Barbosa

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra disse neste domingo à tarde em visita à Bienal do Livro, no Anhembi, em São Paulo, que caso seja eleito presidente vai distribuir gratuitamente 100 milhões de livros anualmente para estudantes e também para os professores. Segundo Serra, cada aluno do ensino fundamental das escolas públicas, a partir da quarta série, receberá três livros por ano, para estimular o hábito da leitura. Também os professores ganharão livros dentro desse programa. (Leia também: No Rio, Serra não comenta pesquisa Datafolha e foca nas críticas ao governo federal )

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domingo, 15 de agosto de 2010

A censura moralista

"Análise da professora Marisa Lajolo sobre a distribuição de livros nas escolas brasileiras

Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise.

José Patrício par ao Jornal o Estado de São Paulo
Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências."

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Biblioteca de São Roque incentiva leitura por meio de contação de histórias

" Além do trabalho pedagógico desenvolvido na rede municipal de ensino de São Roque de incentivo à leitura, a Biblioteca Pública do município, “Prof. Arthur Riedel” também está promovendo atividade nesta área. Na segunda-feira, 9, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, o local teve como atração, contação de histórias. A apresentação foi feita pela Companhia “Ópera na Mala”, do projeto Viagem Literária da Secretaria da Cultura. Os atores, Sergio Serrano e Cris Miguel contaram o espetáculo “Baú de Histórias” que também apresentam na TV Cultura e na TV Rá Tim Bum. Ao todo 551 pessoas entre crianças de 5 a 10 anos de escolas municipais e particulares da cidade, e público em geral, assistiram ao espetáculo.

Utilizando bonecos de várias técnicas e música ao vivo, a dupla de contadores contou de forma dinâmica e bem-humorada o “Baú de Histórias” que retrata de um Rei que quer ouvir histórias e oferece um prêmio para aquele que contar a história mais longa. Dom Quixote e Sancho Pança, o Contador de Histórias, a Princesa e o Lelo do Castelo, Senhor Andino, Professor Nicolau Nicolaievski, entre outros, apresentam suas histórias trazendo um pouco da cultura de várias partes do mundo.

O projeto da Secretaria da Cultura é apresentado por grupo de artistas especializados em contação de histórias e leva contos e cantos para as bibliotecas, proporcionando às crianças uma inesquecível viagem literária e imaginária.

Serrano explica, que é o segundo ano que participam do Viagem Literária e, segundo ele, é um projeto bastante interessante e tem como finalidade mostrar como a biblioteca pode ser divertida e quantas histórias e coisas estão nela. “Só precisa que a gente venha buscar e transformar num lugar atrativo”, acrescentou.

O trabalho visa também, além de estimular e incentivar a leitura às crianças, formar futuramente pessoas mais capacitadas. “Se a gente quiser ter um país com pessoas que sejam mais educadas funcionalmente que pensem, que tenham opinião e histórias para contar, acho que a gente tem de estimular muito a leitura”, enfatizou Serrano.

A chefe da Biblioteca Municipal de São Roque, Ignez de Castro Carvalho, salientou que é importante realizar atividades como estas porque atrai as pessoas a visitarem o espaço e, com isso, incentivar o uso e a prática da leitura. Ela adianta que para este ano, também em parceria com a Secretaria da Cultura, mais três outros eventos estão programados na biblioteca para setembro e outubro com escritores e novembro com oficina literária."

Publicado originalmente: http://www.guiasaoroque.com.br/noticia/noticia.asp?id=3053

Pinda realiza diversas atrações nas bibliotecas municipais e no Bosque

" A Prefeitura de Pindamonhangaba, por meio das Secretarias de Educação e Esporte, realiza a partir do dia 16, a Semana do Folclore. O objetivo é levar entretenimento, cultura e lazer, além de debater, levar conhecimento e reflexão sobre mais um tema da área.

De acordo com a secretária de Educação e Cultura, prof. Bárbara Zenita França Macedo, o tema é relevante e aguça o campo criativo e imaginário das pessoas. “O evento é mais uma ação do Departamento de Cultura e das bibliotecas municipais, que se preocupam com iniciativas que acrescentam na educação e formação de cada ser humano. Ampliar o horizonte dos conhecimentos é uma forma de evidenciarmos nossa personalidade”, disse.

A semana vai ser realizada em dois locais. De 16 a 24 de agosto, as bibliotecas municipais vão ficar encarregadas de sediar o evento, e nos dias 21 e 22, o Bosque da Princesa recebe a programação. Diversas atividades fazem parte do roteiro. Durante o evento o público poderá participar de oficinas e brincadeiras folclóricas, prestigiar grupos de dança, feira de artesanato, espetáculo teatral e muito mais. As ações visam explorar o tema de forma que os participantes conheçam um pouco da história e trajetória do folclore.

Pindamonhangaba realiza atrações que não buscam somente oferecer um momento de descontração para a população, mas, sobretudo, são eventos que discutem os diferentes temas culturais que permeiam nosso país e traçam o perfil de nossa sociedade. “O aspecto cultural influencia na forma de agir e pensar de uma comunidade. Por isso, nos últimos anos a Prefeitura se preocupa com questões fundamentais, como educação, cultura, esporte e promove ações que emanem conhecimento e fortifiquem a maneira de pensar”, ressaltou a secretária Bárbara Zenita."

Publicado originalmente: http://www.diariotaubate.com.br/display.php?id=19764

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Projeto "Letras de Luz" realiza capacitação em Lorena

Cidade é o pólo regional do projeto direcionado a bibliotecários, professores, coordenadores e diretores de escola da rede municipal

Nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6), a Secretaria da Cultura de Lorena promove, por meio do “Projeto Letras de Luz”, oficinas direcionadas a bibliotecários, professores, coordenadores e diretores de escola da rede municipal de ensino.

A capacitação será realizada na Casa da Cultura, das 8h às 17h, e será de responsabilidade da representante do “Letras de Luz”, de São Paulo, Edi Fonseca.

O projeto de educação e cultura da Fundação Victor Civita, com patrocínio da EDP Energias do Brasil, atende a 60 municípios, distribuídos em 16 pólos, nos Estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Tocantins e São Paulo.

A cidade de Lorena é o pólo regional do projeto, onde participam cidades de Guaratinguetá, Aparecida, Potim e Roseira.

O foco é ampliar o interesse da população pela leitura, fazendo com que a tarefa de estimular esse hábito seja incorporada ao cotidiano dos educadores de todo o país.

Para isso, uma série de ações orienta os trabalhos como: formação de professores e agentes literários em oficinas de leitura; capacitação de grupos em teatro e posterior realização de espetáculos; doação de acervos de livros literários para as cidades participantes.

Neste mês de agosto, no dia 05/08, as cidades envolvidas receberão uma doação de acervo de livros do projeto.

O evento, ainda contará com apresentação do Grupo de Teatro "Deita molhado, acorda Iluminado”, que será realizada na Casa da Cultura, a partir das 17h, e aberto gratuitamente ao público interessado.

Fonte: http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=77065&id2=21

sábado, 31 de julho de 2010

Os textos leves e curtos da internet estão nos deixando mais burros?

"Um crescente número de especialistas pensa que sim – e afirmam ser hora de reduzir o ritmo.

Se você leu este artigo na versão impressa do caderno Nosso Mundo Sustentável, é provável que só tenha lido metade do que estava escrito na página. Se você está lendo agora esta versão online, provavelmente não lerá um quinto. Pelo menos, são esses os veredictos de dois projetos de pesquisa respectivamente, do Poynter Institutes Eyetrack, e de Jakob Nielsen. Ambos sugerem que muitas pessoas não têm mais concentração para ler artigos até o final.

E o problema não fica apenas por aí. De acordo com acadêmicos, estamos nos tornando leitores menos atentos também. Professor da Bath Spa University, Greg Garrard recentemente revelou que teve de encurtar a lista de leitura de seus alunos, enquanto Keith Thomas, historiador em Oxford, afirma estar perplexo com seus colegas mais novos, que analisam fontes com um mecanismo de busca em vez de lê-las em sua totalidade.

Estamos, então, ficando burros? De acordo com The Shallows, livro de tecnologia de Nicholas Carr, os hábitos online estão danificando as faculdades mentais necessárias para processar e entender informações textuais mais longas. Os feeds de notícias a toda hora mandam o leitor de um link para outro – sem que ele, necessariamente, se aprofunde em algum conteúdo. A leitura é frequentemente interrompida com a chegada do último e-mail, e, agora, o internauta ainda absorve pequenas rajadas de palavras no Twitter e no Facebook.

Tudo isso significa que embora, por conta da internet, nós tenhamos nos tornado bons em coletar uma ampla gama de petiscos, também estamos gradualmente esquecendo como sentar, contemplar e relatar fatos.

Um movimento pelo slow reading

Continua lendo? Você provavelmente faz parte de uma minoria em extinção. Mas não importa: uma revolução...."

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Viver de sonhos e revoluções

"Um dos principais convidados da Festa Literária Internacional de Paraty, o historiador americano Robert Darnton defende a criação de bibliotecas públicas com obras digitais com acesso liberado

Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

O pesquisador americano Robert Darnton terá jornada dupla na Festa Literária Internacional de Paraty, que começa na quarta-feira: ele participará de duas mesas que tratam do futuro do livro. Não se trata de um exagero - diretor da biblioteca de Harvard, Darnton é autor de A Questão dos Livros (Companhia das Letras), "uma apologia descarada da palavra impressa e seu passado", como escreve na introdução. Ou seja, busca conciliar a obra tradicional, em papel, com as novidades digitais. Mais que isso, defende a criação de uma biblioteca nacional de e-books, com acesso livre. Utópico? Pode ser, mas não o suficiente para frear esse colecionador de livros proibidos da França pré-revolucionária, que falou com o Sabático por telefone.


É possível comparar a revolução dos livros digitais com a de Gutenberg e a criação da imprensa?

Acredito que revoluções são coisas do passado. Podemos fazer uma lista de tudo o que é considerado revolucionário, desde novas formas de se vestir até táticas defensivas no futebol. Por isso que só uso essa palavra para algo realmente grandioso, como é o caso do livro digital, tão fabuloso como a revolução provocada por Gutenberg. Posso estar errado pois é preciso uma distância temporal muito grande para se avaliar devidamente o valor de uma transformação, mas, como vivemos, nos últimos 15 anos, mudanças decisivas na forma de comunicação que atingem nossa vida diária, o risco é seguro. Por outro lado, há quem não defenda como revolucionária a criação de Gutenberg: para alguns pesquisadores, como o francês Lucien Lefevre, a prensa retardou mudanças especialmente no tocante aos manuscritos que, ao serem adaptados ao formato de livro, perdiam muitas qualidades. Assim, segundo Lefevre, tal malefício não pode ser considerado revolucionário.

Mas o senhor concorda?

Não, acredito que Lefevre agiu como um provocador. Basta observar a evolução do papel, que atingiu níveis elevados um século antes de Gutenberg e que é mais importante que a própria invenção da prensa. Ou seja, é um assunto complicado. De uma maneira geral, acredito que a invenção da prensa trouxe mudanças menos dramáticas do que se imagina, mas, por outro lado, essas alterações são mais profundas do que se acredita.

Podemos concluir que o livro tradicional pode conviver com a versão digital, ao menos durante um tempo?

Sim, exatamente, esse é um dos principais argumentos do meu livro. Acredito que as pessoas ainda não entenderam quais são as mudanças provocadas por essa revolução. Comenta-se muito que vivemos na era da digitalização - é verdade, mas isso não significa obrigatoriamente a morte do livro tradicional. Ao contrário: ele se torna mais importante a cada ano. Basta conferir a quantidade de obras impressas que, a cada ano, ultrapassa a do anterior. Aproximadamente 1 milhão de livros a mais são impressos em todo o mundo em um ano, uma loucura.

Qual é o principal problema provocado pela migração de uma obra tradicional, em papel, para a versão digital?

Creio que você se refere à preservação dos textos digitais, um problema que preocupa a grande maioria dos bibliotecários de todo o mundo. Talvez seja esse nosso maior desafio - evitar o desaparecimento de textos extremamente frágeis. Por outro lado, o material impresso em papel resiste por décadas, especialmente o branco, utilizado a partir do século 19. Tal persistência não é ainda garantida no digital que, por conta da evolução tecnológica, tem diversos arquivos obsoletos, como aqueles guardados em disquetes, por exemplo. E um último problema está na dificuldade de muitas pessoas em coletar textos no ciberespaço, pois é preciso ter muitos detalhes desse arquivo para então encontrá-lo. Para piorar, as formas de descrição mudam com o passar dos anos, o que torna inviável hoje um caminho que antes era aconselhável. Assim, se você não dominar o método apropriado, provavelmente seu texto será perdido para sempre. Bem, colocando todos esses empecilhos em uma cesta, você estará criando uma colossal dor de cabeça, especialmente para alguém responsável por uma grande biblioteca como é meu caso, em Harvard. Para evitar isso, investimos pesadas somas de dinheiro para manter nosso arquivo digital, migrando de um sistema para outro quando surge uma nova tecnologia, ou ainda buscando lugares seguros, à prova de terremotos por exemplo, a fim de mantê-lo atualizado ou, melhor dizendo, vivo.

E quais mudanças o senhor observa em nossa noção de narrativa?

É uma boa questão. Para ser totalmente honesto, eu não sei. Mas suspeito que estamos mudando nossa forma de ler. Atualmente, os mais jovens criaram o hábito de ler pequenos blocos de texto e em grande velocidade, seja em Twitter, blogs, ou ainda na troca de mensagens recebidas em celulares e portáteis. Assim, a leitura de um livro tornou-se um ato pouco usual. Por conta disso, é possível acreditar que logo os livros serão adaptados a esse tipo de escrita, ou seja, uma prosa breve, segmentada. Isso vai influenciar decisivamente a forma de se apresentar personagens, descrever cenários, criar atmosferas, utilizar recursos narrativos. Tudo ficará achatado. É uma possibilidade. Ou ainda poderá existir um tipo de escritor que utilize a estratégia típica de um blog, por exemplo, para construir seu romance e assim capturar a atenção do leitor jovem. O fascinante é que a narrativa vai persistir, como vem acontecendo há séculos, período em que passou (e continuará passando) por transformações. Acredito que isso ocorrerá com facilidade no Brasil, por ser seu país muito aberto a novidades tecnológicas. E, como dispõem de grandes escritores, quem sabe se vocês, brasileiros, não acabarão ensinando o resto do mundo sobre novas formas narrativas?

O senhor acredita que, com a escrita digital, surgirão escritores clássicos do naipe de Dickens ou Capote?

Grandes escritores surgem independentemente da forma como é produzido seu texto, seja escrevendo com uma pena ou em um computador. O bom autor se molda com trabalho incessante e determinação, de intensa escrita e reescrita, além de uma boa dose de talento. A escrita digital, por sua praticidade, não confere naturalmente seriedade ao texto de seja qual for o autor. Mas é justamente essa praticidade que deverá modificar, no meu entender, a formação do escritor do futuro, que certamente será diferente do passado. Muitas novas ferramentas estão à disposição, o ato de escrever parece mais cômodo mas, volto a insistir, a determinação exigida há cem anos continuará necessária nos próximos cem.

Por que o senhor defende a criação de uma biblioteca de obras digitais?

É uma causa que tem tomado muito do meu tempo atualmente. Tudo começou quando o site de buscas Google decidiu digitalizar milhões de livros e torná-los públicos. Inicialmente, aprovei a ideia e a biblioteca de Harvard foi uma das cinco primeiras a liberar seu acervo. Mas o perigo do monopólio e da comercialização me fizeram repensar o caso e até a escrever um artigo a respeito. Como despertou uma série de protestos, o acordo acabou na Justiça por conta do risco de infringir as leis antitruste dos Estados Unidos. Admiro o trabalho dos diretores do Google, que prometem cobrar um preço moderado pelo acesso das bibliotecas ao seu banco de dados, mas quem estiver no comando daqui a dez anos vai manter a mesma posição? A ação é civil, não criminal, e vem sendo julgada em Nova York. Como deve se estender por um tempo, gostaria de aproveitar para incentivar a criação de uma biblioteca nacional de obras digitais, que ofereceria um acesso muito mais democrático, gratuito. O financiamento pode vir de fundações e o trabalho seria feito por pesquisadores de bibliotecas. Espero que outros países, como o Brasil, façam o mesmo, a fim de termos uma biblioteca mundial. Sei que é utópico, mas não podemos viver sem sonhos.

Publicado originalmente : http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100731/not_imp588479,0.php

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Bienal do Livro terá ingressos a R$ 10,00

A cidade de São Paulo recebe, entre os dias 12 e 22 de agosto, a Bienal do Livro, que reunirá escritores, leitores, profissionais ligados à leitura e escrita, estudantes e outros interessados em conhecer as novidades apresentadas no evento.

A 21ª edição da Bienal trará à capital paulista homenagens aos escritores Monteiro Lobato e Clarice Lispector e discussões sobre Lusofonia e o surgimento do Livro Digital. Haverá, ainda atividades especiais relacionadas a vampirismo.

A grande novidade deste ano, no entanto é o preço do ingresso. A fim de atrair o público de diversas partes do país, os organizadores do evento decidiram manter o preço dos ingressos praticados em 2006. Para o público em geral, a entrada custará R$ 10. Estudantes pagam meia entrada e professores, bibliotecários e profissionais do livro não pagam para entrar na Bienal do Livro.