"DO RIO
O município de Jordão, no Acre, tem 6.500 habitantes e nenhuma biblioteca pública.
Para o Ministério da Cultura, no entanto, o município consta na lista das bibliotecas implantadas.
Jordão foi contemplado no programa de 2008. Deveria receber o kit com livros em 2009 e inaugurar a biblioteca três meses depois do recebimento.
Segundo a coordenadora de Cultura do município, Nardia Sinara, a prefeitura recebeu um ofício em 2010, mas nenhum livro chegou à cidade.
De acordo com ela, mesmo que o material seja entregue, não há perspectiva de inaugurar a biblioteca.
"A prefeitura não tem a sala e, no momento, não tem recursos para construir uma", diz.
A funcionária reforça que há interesse na biblioteca, já que a maioria da população local é formada por jovens estudantes.
Apenas falta dinheiro para implantá-la. "O próprio prédio da prefeitura não está em boas condições", diz.
De acordo com ela, não há nenhum bibliotecário formado no município.
A coordenação do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas informou que um kit com livros foi enviado para o município em abril do ano passado.
Mas a transportadora não comunicou a entrega e por isto teve seu pagamento suspenso.
Segundo a coordenadora do sistema, Ilce Cavalcanti, o caso é uma exceção e não há problemas com a entrega dos kits. No máximo, atrasos.
"Algumas bibliotecas levam mais tempo para chegar porque às vezes na estrada não passa caminhão ou o kit tem de ser transportado pelo rio, ou há problemas com índios que fecham a estrada e não permitem passagem", diz. (MB)
Publicado originalmente http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0802201112.htm
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Biblioteca no Acre não tem livros nem sala
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Só 12 cidades da região têm arquivos municipais
"Levantamento do Arquivo Público do Estado crescerá com visitas in loco
Para especialista, o principal empecilho é que os prefeitos não sabem que criar o órgão é uma obrigação por lei
JULIANA COISSI DE RIBEIRÃO PRETO
Documentos públicos, mapas e fotos que resgatam a memória da região de Ribeirão Preto praticamente caíram no esquecimento na maioria das cidades.
Só 12 das 89 prefeituras da região possuem um arquivo municipal para armazenar documentos e permitir o seu acesso ao público, segundo levantamento preliminar do Arquivo Público do Estado.
O número baixo segue tendência estadual: somente 67 municípios paulistas possuem arquivo do tipo. A situação, porém, evoluiu se comparada a 2003, quando o órgão existia em 33 cidades.
Na região, pela lista, estão Ribeirão, Franca, São Carlos, Araraquara e Barretos. Entre as demais cidades, constam Aramina, Igarapava, Jaboticabal, Nuporanga, Serrana, Taiaçu e Taiúva.
O levantamento começou em 2003, com base nas informações das próprias cidades e do Conarq (Conselho Nacional de Arquivos).
Mas o número deve se alterar a partir deste ano. Com a contratação de mais funcionários, o arquivo estadual vai visitar as cidades e saber se de fato os órgãos funcionam ou só estão no papel.
É o caso de Serrana. Apesar de constar na lista, a prefeitura admite não ter um arquivo municipal.
Por outro lado, também devem entrar na lista cidades não inclusas, mas que mantêm seus arquivos.
São Simão, por exemplo, possui um museu histórico com documentos públicos, dispostos em caixas. E há uma iniciativa de torná-los mais acessíveis.
Segundo a responsável pela assistência aos municípios do arquivo estadual, Camila Brandi Bentes, o maior desafio com as prefeituras é vencer o desconhecimento.
"Muita gente não sabe que isso não é apenas um projeto cultural. Ter arquivo é uma obrigação do município."
Uma lei federal de 1991 diz que prefeituras, Estados e União são obrigados a manter um espaço próprio para guardar documentos públicos, com profissional responsável, e tornar parte desse acervo acessível ao público.
Para fazer valer a lei, o arquivo recorreu ao Ministério Público Estadual, que tem cobrado de prefeitos a instalação do órgão. Ter um espaço físico e funcionários é outra dificuldade, diz Bentes.
Criado em 1991, junto com a lei federal, o arquivo de Ribeirão ocupa um espaço que seria improvisado, mas que é o mesmo há 15 anos.
Na casa alugada, de 500m2, as pastas estão literalmente empilhados. Parte foi coberta com plástico para proteger de goteiras.
O acervo reúne cerca de 400 mil documentos e há intenção da prefeitura de removê-los para um amplo prédio.
Para a historiadora do órgão, Tânia Registro, a pouca quantidade de arquivos nas cidades da região serve de alerta. "Arquivo não é só a memória do passado, mas é o acesso à informação."
Publicado originalmente: http://www.jornalahoraonline.com.br/cidade/integra.php?id=11896
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
MS conta com 86 bibliotecas públicas
"Todos os municípios do Estado têm o espaço em funcionamento, alguns até mais, portanto se enquadram na exigência do Ministério da Cultura
THIAGO ANDRADE 13/12/2010 00h10
A maioria das bibliotecas públicas tem carência de estrutura, por falta de investimento para atrair
Qual a primeira imagem que vem a sua cabeça quando se ouve a palavra "Alexandria"? Existem grandes chances de você ter pensando na Biblioteca de Alexandria, uma das maiores do mundo antigo, destruída por um incêndio. Outra biblioteca que se tornou famosa, ainda que só no mundo imaginário, é a Biblioteca de Babel, do conto homônimo do escritor argentino Jorge Luis Borges. Nele, o autor brinca com as semelhanças entre o universo e as prateleiras cheias de livros e informações. Mas por que falar de bibliotecas?
No final da semana passada, o Ministério da Cultura (MinC) estabeleceu, por meio de publicação no Diário Oficial da União, que somente municípios que tiverem bibliotecas públicas administradas pelas prefeituras em pleno funcionamento poderão receber recursos do ministério. Os dados provêm do 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, divulgado em abril deste ano, que apontava que 420 cidades do País não tinham espaços públicos para armazenar livros. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou a pesquisa.
Em Mato Grosso do Sul, todos os municípios contam com bibliotecas. Na realidade, alguns deles contam com mais de uma. Ao todo são 86 bibliotecas públicas administradas pelas prefeituras municipais, que contam com auxílio da Fundação de Cultura do Estado (FCMS). "Nos enquadramos naquilo que o MinC pede às cidades brasileiras. Todos os 78 municípios têm bibliotecas em funcionamento. Entretanto, existe muita precariedade em relação aos prédios, acervos e profissionais", critica Sheila Bittencourt Radich, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso do Sul.
Ela acaba de publicar o "Guia do sistema estadual de bibliotecas públicas do Estado de Mato Grosso do Sul", que faz um levantamento de todas as instituições do Estado, com fotos, detalhamentos sobre a estrutura, entre outros. Segundo ela, com o repasse ínfimo destinado às bibliotecas públicas e com a falta de cuidado que os municípios têm com seus prédios torna-se difícil melhorar a situação no Estado. "Manter uma biblioteca não é algo barato, pois é necessário sempre atualizar o acervo e manter-se conectado às novidades", pontua.
Mesmo a Biblioteca Municipal Professora Ana Luiza Prado Bastos, em Campo Grande, sofre com dificuldades financeiras. "Estamos criando meios para obter novos lançamentos e não deixar o espaço ficar tão defasado. O valor arrecadado por meio das taxas anuais pagas pelos associados é revertido integralmente para a compra de livros", descreve a bibliotecária Tatiane Nobue Iseky. Tendo sido contemplada com edital de modernização do MinC, a biblioteca recebeu reparos estruturais, mas ainda está longe de operar como se deve.
Tatiane é uma das poucas profissionais graduadas em Biblioteconomia que atuam em órgãos públicos do Estado. Segundo Sheila, apenas outros dois municípios contam com profissionais formados. Em Naviraí, onde existem duas bibliotecas públicas, existe uma bibliotecária concursada trabalhando para o município. "Estamos nos constituindo como cidade universitária, portanto buscamos oferecer o que há de melhor para os acadêmicos daqui", descreve o secretário de Educação, César Martins da Fonseca, referindo-se ao motivo dos concursos.
Já em Costa Rica, a prefeitura contratou uma profissional para atuar junto à biblioteca pública da cidade. "É um quadro complicado, afinal de contas, os profissionais passam anos estudando para atender tanto ao público, quanto às necessidades internas das bibliotecas", defende Sheila. A coordenadora explica que a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul oferece, por meio do Sistema Estadual, cursos de treinamento já que a demanda de profissionais graduados é pequena. "Também fazemos doações anuais de 200 livros, mas isso não abrange todos os órgãos", descreve."
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Biblioteca Arthur Vianna amarga o abandono
Leitura entregue às traças na maior biblioteca do Pará
Marcelo da Silva, 38, “repara” carros na travessa Rui Barbosa. Entre um trocado e outro, quando diminuiu o fluxo de veículos, ele atravessa a rua e caminha em direção ao Centur.Alguns lances de escada e pronto – Marcelo se vê em seu lugar preferido para “passar o tempo”, como ele mesmo diz: a gibiteca da Biblioteca Arthur Vianna. “Sempre venho aqui quando não tem muito carro lá fora. Gosto de matar a saudade das revistas antigas. X-Men e Novos Titãs são meus gibis favoritos”, conta.
Fernanda Cybelle, 16, é estudante do segundo ano do Colégio Paes de Carvalho e, curiosamente, comemorava seu aniversário com as amigas, sem bolo nem barulho, em uma das mesas do salão central da biblioteca. “Nós adoramos vir pra cá. Hoje fomos liberadas mais cedo e, como temos um seminário sobre Inglês de Souza, viemos adiantar a pesquisa. A biblioteca da escola não supre a nossa necessidade”.
Marcelo, Fernanda e as cinco amigas compunham um pequeno grupo de leitores que aproveitava o final da manhã da última quinta-feira na centenária biblioteca, que em seus vários ambientes, parecia desabitada. A própria gerente, Ruth Vasconcellos, reconhece: já houve dias (bem) melhores. “Há dez anos o público era bem maior,os números mostram isso”, ela diz, como se a realidade não saltasse aos olhos. “A tecnologia levou o usuário a traçar outro caminho na busca por informação. É claro que há maneiras de trazer leitores, mas fica difícil diante da nossa atual situação. Não é bonito dizer isso, mas nosso acervo está desatualizado, e isso prejudica muito o atendimento, porque se o leitor vem e não encontra o que está procurando, nãovolta mais”, pondera.
Atualização e informatização do acervo, instalação de um telecentro, modernização dos equipamentos e aquisição de maquinário e móveis novos.São muitas as necessidades desta que é a mais importante biblioteca pública de Belém, mas que, do alto de seus 139 anos, parece parada no tempo.
A situação se torna mais grave ainda quando se leva em conta que o Pará é o Estado com maior número de municípios sem bibliotecas: dos 143 municípios, 21 não possuem um local reservado para estudo e pesquisa, segundo pesquisa divulgada em abril pelo Ministério da Cultura. Em Belém, só há duas bibliotecas públicas: a Biblioteca Arthur Vianna e a Biblioteca Municipal Avertano Rocha, na orla de Icoaraci.
FALTA ESTÍMULO
Para Ruth Vasconcellos, faz-se necessária a união de esforços para resgatar a importância da biblioteca como espaço de pesquisa e busca pelo conhecimento. “Hoje o professor pede um trabalho, o aluno vai à internet, copia o que for conveniente, e pronto. O educador deve exigir as referências bibliográficas, um conteúdo consistente. Isso acaba forçando uma pesquisa mais aprofundada e levando o aluno a buscar o ambiente da biblioteca”, defende.
Para a pedagoga Luciana Moura Assad, 28, que dá aulas para turmas de 1ª à 8ª série na escola de ensino fundamental Dr.Carlos Guimarães, no bairro da Marambaia, a biblioteca ainda figura como ferramenta indispensável para o ensino, principalmente em um país onde a pobreza limita o acesso à leitura. “Para as classes mais baixas, comprar livros ainda é uma realidade muito distante. A biblioteca é uma ferramenta indispensável, um suporte para professores e alunos”, diz.
Luciana, que dá aulas pela manhã, reserva as tardes para cuidar da biblioteca recém implantada na instituição onde trabalha. Observando de perto a relação dos alunos com o espaço, ela nota que esse vínculo ainda precisa se fortificar. “Estamos fazendo um trabalho de conscientização, porque ainda não existe o hábito de freqüentar o espaço. Os alunos ainda estão aprendendo valores como o cuidado com o livro, o silêncio no ambiente da biblioteca. Estamos criando estratégias para que eles descubram o prazer da leitura, já que na família, muitas vezes, não existe esse estímulo”.
Espaço público amarga má fase, diz direção
Sem orçamento próprio – já que depende dos recursos da Fundação Cultural Tancredo Neves – a Biblioteca Arthur Vianna amarga uma má fase. O salão geral, que antes dispunha de três seguranças, agora conta com um só guarda. Também foi reduzida a quantidade de câmeras de monitoramento em cada sala: de duas para apenas uma. “São os cortes orçamentários”, diz Ruth Vasconcellos. Depois do decreto 1.618, baixado pela governadora Ana Júlia, em abril de 2009, também foi reduzido o horário de funcionamento do espaço: de 8h às 19h passou a ser de 10h às 18h. “O público reclama desse horário. Os estudantes costumavam vir cedo, pesquisar, agora já não dá mais”.
A seção de obras raras guarda relíquias como ‘Rimas Várias de Luis de Camões’, livro datado de 1689.No entanto, está alocada em um espaço sem temperatura adequada, onde se vê um velho e poeirento ar-condicionado. O setor de microfilmagem, que dispõe de apenas duas máquinas, também precisa ser modernizado.
Segundo os relatórios, a biblioteca registrou a visita de cerca de dez mil usuários no mês de maio, o que corresponde a quase 77 mil obras consultadas.Para Ruth, é um número muito abaixo do esperado, mas é também resultado de muito esforço diante da falta de recursos e de estrutura.
“A gente até fica meio triste. É uma imensidão de livros, e o público não usufrui, não desfruta disso como deveria. Tem gente que mora aqui no entorno e não conhece a biblioteca”, diz a gerente do espaço, com pesar. Na tentativa de reverter esse quadro, ela organiza atividades culturais, esquema de visitas monitoradas com as escolas e atividades lúdicas com agendamento.
“Tudo funciona como atrativo para trazer o público que está lá fora”, ela acredita. E aponta o que seria uma alternativa para a revitalização do espaço: “A criação de uma associação de amigos da biblioteca, com um grupo de pessoas que se unisse para angariar recursos em benefício do espaço, dando um suporte orçamentário. Mas precisamos da mobilização da sociedade civil”, desabafa.
O QUE DIZ A LEI
No último dia 25 de maio,entrou em vigência uma lei que determina que as instituições educacionais públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do Brasil deverão ter bibliotecas. As escolas terão um prazo máximo de dez anos para instalarem os acervos de livros,documentos e materiais videográficos.
A determinação prevê um acervo de livros na biblioteca de,no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao sistema de ensino ampliar este acervo,bem como divulgar orientações de guarda, preservação,organização e funcionamento das bibliotecas escolares. Em abril o Ministério da Cultura revelou que o Pará é o Estado com maior número de municípios sem bibliotecas: dos 143 municípios, 21 não possuem um local reservado para estudo e pesquisa.
Em Belém, só há duas bibliotecas públicas: a Biblioteca Arthur Vianna e a Biblioteca Municipal Avertano Rocha, na orla de Icoaraci.
ACERVO
A biblioteca Arthur Vianna possui cerca de 500 mil volumes e recebe de 9 a 10 mil pessoas por mês, que consultam cerca de 75 mil obras. (Diário do Pará em 14/06/2010)
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Marcadores: Belém, bibliotecas, Lei 12.244, Pará, Retratos do Brasil
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Lei obriga a construção de 93 mil bibliotecas em 10 anos
"Para cumprir as orientações da lei sancionada no final de maio pelo presidente Lula, o Brasil terá de construir pelo menos 25 bibliotecas por dia. A meta a ser atingida em 2020 prevê que todas as escolas de ensino básico terão uma biblioteca instalada. Cada unidade deverá ter no acervo um título por aluno matriculado, entre livros e materiais audiovisuais.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, a aprovação da lei foi um avanço, mas já enfrenta grandes desafios.
“É uma lei que precisa ser efetivamente colocada em prática porque a existência de bibliotecas nas escolas é fundamental para que a gente tenha uma educação de qualidade. Mas também é preciso que tenha pessoas que possam orientar a pesquisa dos alunos, além de se ter espaços convenientes para receber esses livros.”
Para tornar viável a construção de 93 mil bibliotecas em um prazo de 10 anos e garantir outros avanços, Franklin defende o investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do país em educação. Hoje, apenas 4,5% das riquezas geradas são destinadas para esse fim.
“É preciso regulamentar o regime de colaboração entre os estados e municípios para que possa haver um trabalho integrado entre essas esferas de poder. Isso tudo precisa ser feito. É ousado, mas a educação precisa de pessoas ousadas e que esteja realmente sustentado em um projeto claro de financiamento.”
Em paralelo à construção de bibliotecas, há o desafio de se formar especialistas na área. Atualmente existem 20 mil bibliotecários no Brasil. Ou seja, apenas 10% da demanda."
Fonte: Radioagência NP, Jorge Américo. São Paulo em 02/06
http://www.radioagencianp.com.br/8721-lei-obriga-a-constru%C3%A7%C3%A3o-de-93-mil-bibliotecas-em-10-anos
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Marcadores: bibliotecas escolares, Lei 12.244, Retratos do Brasil
Mais da metade das escolas do RN não tem biblioteca; nova lei obriga equipamento em todas
"Houve um tempo, na história da educação brasileira, que frequentar a biblioteca da escola era uma forma de castigo. O aluno que não se comportava bem tinha a obrigação de todos os dias visitar a biblioteca até conseguir ler uma coleção completa dos grandes clássicos da literatura. Quem já passou por uma prenda desse tipo hoje se regojiza com a aprovação da lei proposta pelo governo federal, que obriga toda escola a ter uma biblioteca e possibilita que o estudante possa desfrutar da leitura não apenas como um castigo ou obrigação, mas como um direito e, acima de tudo, um prazer. No Rio Grande do Norte, apesar de o governo do estado desde 2004 ter lançado o programa Biblioteca para Todos, elas estão em funcionando em cerca de 35% das escolas. A novidade foi comemorada por educadores.
A lei está sendo aplaudida por secretários de Educação, diretores de escolas, sindicalistas, estudantes e pais. Mas para atender às normas, no entanto, as instituições precisarão fazer algumas adequações, como oferecer e ampliar o espaço, além de adquirir mais equipamentos e material para pesquisa.
Segundo a responsável pelas bibliotecas escolares da rede estadual, Erileide Maria Oliveira Rocha, até o momento, o governo já reformou cerca de 200 das 730 bibliotecas escolares. "Elas receberam acervos atuais, equipamentos adequados, ambientação e material didático, além de capacitação para profissionais. Em 2010 foram organizadas 42 bibliotecas e, atualmente, encontra-se em processo de licitação equipamentos para novas bibliotecas em 82 escolas. Já nas 153 escolas da grande Natal, segundo Erileide quase 100% têm acervo.
Particulares
Nas escolas particulares do Rio Grande do Norte, já existem bibliotecas em praticamente todas, segundo presidente da Associação de Escolas Particulares do RN, Alexandre Magno. Em todo estado são 357 escolas cadastradas e autorizadas a funcionar e as bibliotecas são encaradas como um bom diferencial. Mas não basta construir prédios ouequipar bibliotecas, é preciso em primeiro lugar que atente para a manutenção do acervo e que a escola tenha uma política de incentivo à leitura. "Além disso, a escola tem que ser mais completa, a internet deve fazer parte de todo complexo. Os livros por si só já não satisfazem em termos de conhecimento, porque a internet se acessa o momento atual, ao contrário dos livros que são estáveis, retratando um determinado momento", disse ele.
Por Francisco Francerle, da redação do DIARIO DE NATAL"
Publicado originalmente no Jornal Diario de Natal em 02/06
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Marcadores: bibliotecas escolares, Lei 12.244, Retratos do Brasil, Rio Grande do Norte
42% das escolas em Mato Grosso não têm biblioteca
Por Fernando Duarte
Com a aprovação da Lei 1.244 que obriga a instalação de bibliotecas nas escolas, Mato Grosso terá que reforçar o investimento nesse espaço de aprendizado básico. Das 704 escolas da rede estadual, mais de 300 não possuem biblioteca. Em Cuiabá, das 97 escolas municipais, quase 30 não contam com a estrutura, e as que possuem não estão no padrão de qualidade exigido pelo Ministério da Educação (MEC).
Muitas vezes não existem livros catalogados ou locais adequados para colocar os títulos e a figura do bibliotecário é exercida por professores, ou seja, desvio de função. O governo federal deu um prazo de 10 anos para todas as escolas se adequarem à lei.
A Escola Municipal Irmã Maria Betty Pires, no bairro Novo Mato Grosso, em Cuiabá, existe há 20 anos e não possui biblioteca, somente um espaço usado como "depósito" de livros. Esse cubículo, de 3 por 3 metros, conta apenas com uma lâmpada e um ventilador. Os livros ficam amontoados, próximos a uma caixa de papelão e dificilmente cabe mais de 3 alunos lá dentro. O local era uma antiga sala de apoio, onde os estudantes recebiam reforço das aulas.
Na Escola Municipal Doutor Fábio, em Cuiabá, a biblioteca dos estudantes é um carrinho de supermercado, que vai de sala em sala.
Os livros entregues pelo MEC ainda estão nas caixas porque não há local adequado para colocá-los. "Os professores só trabalham com esses livros na sala de aula", explicou a coordenadora da escola, Maria Aparecida de Almeida.
Ela lembra que existe procura pelos estudantes por livros, mas a falta de estrutura coloca apenas os títulos didáticos à disposição. Almeida destaca que o principal motivo é a falta de recursos, por isso a intenção é que uma empresa privada ou estatal faça uma parceria com a unidade para que invista na infraestrutura educacional.
"Nem sabia que tinha esse espaço", disse Paulo Vinícius Arruda, 12, que está no quinto ano. A outra estudante, Angélica Patrícia Gomes da Silva, 10, diz que gosta de ler e procura os professores, mas, apesar do interesse, tem como barreira a falta de um lugar específico. "Se tivesse mais livros seria bem melhor".
A escola Irmã Maria também necessita de mais segurança. No final do ano passado, a Secretaria Municipal de Educação (SME) repassou 12 computadores para a instituição, no entanto, poucos dias depois todos foram roubados. Como não houve uma reposição, o local que deveria ser uma sala de informática tem hoje mesas vazias e um emaranhado de fios.
Carrinho de compra - Na Escola Municipal Doutor Fábio Firmino Leite, no bairro Dr. Fábio, também não há biblioteca. Ela já teve um lugar específico para os livros, mas o local teve que dar espaço para uma sala de informática. Os livros, então, foram remanejados para uma sala que atualmente é de apoio.
Segundo a diretora Dalva Catarina do Nascimento, os estudantes leem nas salas de aula ou nos corredores. Para isso, uma rede de supermercados da Capital doou um carrinho de compras em que são postos os livros e entregues de sala em sala, numa espécie de "biblioteca ambulante". "Nós precisamos de 2 carrinhos, mas o supermercado que nos apoiou só deu 1".
Tanto os livros acumulados na sala de apoio quanto os do carrinho não são catalogados e não têm divisão por assunto ou por autor. Assim, os alunos procuram aleatoriamente os títulos. "Por causa da demanda do bairro foi necessário transformar a antiga biblioteca em sala de aula".
A diretora afirma que o terreno da instituição é amplo, onde poderia ser construída uma biblioteca, porém ela aponta a falta de recurso para que um possível projeto seja implementado.
Sala de apoio - A Escola Estadual João Crisóstomo de Figueiredo está localizada 3 quadras depois da Firmino Leite. Ao entrar na biblioteca da instituição, a impressão que se tem é que uma nova sala de aula foi construída no local. O ambiente também virou sala de apoio, por isso, o silêncio característico e necessário para uma biblioteca não existe.
Assim, não apenas os professores sofrem com os "desvios de função", mas a própria estrutura das escolas que, por falta de espaço, é obrigada a receber estudantes que precisam de reforço escolar.
A coordenadora da escola, Rosilene Amorim, lembra que, como não existe um bibliotecário, o espaço é administrado pelos professores e, às vezes, até por ela mesma. "Na medida do possível, quando os estudantes demoram para encontrar um livro, eu ajudo a procurar".
Na biblioteca da João Crisóstomo também não existe uma organização dos livros por título ou autor e nem armários suficientes para colocá-los (muitos deles estão no chão).
Exemplo - A Escola Estadual Djalma Ferreira de Souza, no bairro Morada do Ouro, é um exemplo de acesso a livros (didáticos ou não) aos alunos. Na escola existe uma biblioteca em que os livros estão catalogados no computador, com a quantidade total e os títulos em ordem alfabética.
Na seção "A" estão mais de 400 livros de pesquisa e sobre informações do Estado; na "B" estão os relacionados a poemas, teatro, cultura em geral, com mais de 700 unidades; na "C" estão 560 livros relacionados a contos, novelas, etc; e na "D" estão os quadrinhos de autores como Ziraldo.
"Achei que dessa forma ficaria melhor", conta a professora (que atua como bibliotecária) Maria da Glória Carvalho. "Ensinar é viajar nos livros".
A escola tem 540 alunos, ou seja, tem mais de 3 livros por aluno, 2 livros a mais que o solicitado na lei do governo federal que exige pelo menos um título para cada estudante matriculado.
Os livros podem ser emprestados por uma semana ou mais. Quando o aluno pega um deles, se identifica em uma ficha que fica na biblioteca, assim Carvalho tem o controle de saída e entrada.
A aluna Letícia Antunes, 11, além dos didáticos, lê também romance. O último que concluiu foi "Lua Nova". "Tenho que pegar Crepúsculo ainda".
Para livros que o MEC não disponibiliza, os alunos têm acesso por meio de doações de professores ou arrecadando dinheiro entre eles. "Leio só um por mês, mas são todos livros grossos, com muitas páginas".
Outro lado - A coordenadora de Biblioteca Escolar da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Telma Peres, apontou que entre os anos de 2007 e 2010 houve um grande aumento do número de bibliotecas no Estado: de 99 para 400. Segundo ela, isso se deve a injeção de recursos federais pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Peres afirma que 100% das escolas não possuem biblioteca por falta de "espaço físico" e acaba não tendo possibilidade de construir os locais adequados. Em relação ao "desvio de função", ela lembra que não há profissionais graduados para ocupar o cargo de bibliotecário. "Só a Universidade Federal de Mato Grosso de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá) tem o curso de Biblioteconomia".
A coordenadora de Organização Curricular da Secretaria Municipal de Educação, Eliane Quinhone, reconhece que das 70 bibliotecas nas escolas municipais, poucas têm um espaço adequado e um acervo para todos níveis escolares, com o parâmetro utilizado pelo MEC.
Mas destaca que Cuiabá possui bibliotecas modelo, como a da Escola Ranufo Paes de Barros, em que a estrutura também é aberta para a comunidade, e que fazem parte do projeto "Saber com Sabor".
Quinhone afirmou que desde 2008 o município faz adequações, inseridas no Plano de Ação Articulada (PAR), em que estão programadas a construção e adequação de 10 bibliotecas por ano em Cuiabá.
Fonte: Jornal A Gazeta
http://www.reporternews.com.br/noticia.php?cod=284388
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Marcadores: bibliotecas escolares, Lei 12.244, Mato Grosso, Retratos do Brasil
Rio precisa de 3.271 bibliotecas
Escolas não estão adequadas a nova lei federal. Nos municípios, apenas 42% das unidades de Ensino Fundamental têm acervo
POR CRISTINE GERK
Rio - O Rio vai ter que se apressar para construir 3.271 bibliotecas nas escolas dos ensinos Fundamental e Médio nos próximos anos. Lei federal sancionada semana passada determina que todas as instituições de educação do País tenham acervo até 2020, mas nem as escolas particulares fluminenses estão dentro da meta.
O maior problema está nos municípios. Só 42% das 3.833 escolas municipais de Ensino Fundamental no estado estão adequadas. No Médio, o índice sobe para 72% das unidades, mas ainda está longe do ideal.
O diagnóstico tem como base os dados do Censo da Educação Básica de 2008. O Ministério da Educação ainda vai divulgar o levantamento mais detalhado do estado para saber em que municípios a situação está mais crítica.
A Prefeitura do Rio informou que todas as 1.064 escolas da rede têm sala de leitura. Em Nova Iguaçu, o governo admite que há unidades sem biblioteca, mas reforça que projeto desenvolve leitura e escrita em todos os estabelecimentos. Mesmo as escolas que não têm acervo investem na compra de livros e no incentivo à leitura.
CARÊNCIA DE BIBLIOTECÁRIOS
O problema não é exclusivo do nosso estado. Na Educação Infantil, apenas 30% dos colégios de todo o Brasil têm biblioteca. Seria necessário criar 21 por dia para cumprir a nova lei. A legislação estabelece que as bibliotecas devem ser administradas por especialistas da área — os bibliotecários. Mas hoje há um total de 21,6 mil profissionais habilitados, enquanto o País conta com aproximadamente 200 mil escolas de Educação Básica.
“É superimportante que as escolas invistam nisso. O Ciep onde trabalho tem biblioteca. Os alunos usam para pesquisar temas, fazer trabalhos. Muitos só têm acesso a livros por ali”, defende a professora de Geografia Clea de Andrade.
Luis Norberto, do Comitê Gestor do Todos pela Educação, acredita que o desafio será superado com o envolvimento de toda a sociedade. Para ele, mais empresários poderiam se engajar na causa.
Publicado no Jornal O Dia em 03/06/
http://odia.terra.com.br/portal/educacao/html/2010/6/rio_precisa_de_3_271_bibliotecas_85732.html
Postado por crb8saopaulo às 09:16 0 comentários
Marcadores: bibliotecas escolares, infográfico, Lei 12.244, Retratos do Brasil, Rio de Janeiro